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terça-feira, 21 de dezembro de 2010

ICMBio diz que negaria licença ao Estaleiro OSX

Por Celso Martins*

Se a empresa OSX não houvesse desistido da construção de um estaleiro em Biguaçu/Baía Norte de Florianópolis, o ICMBio nacional teria negado anuência para a sua implantação. É o que afirma a direção nacional do órgão em Comunicado oficial encaminhado por Elmano Augusto F. Cordeiro, jornalista e analista ambiental da Assessoria de Comunicação Social
do ICMBio em Brasília, ao Sambaqui na Rede.

Na última quinta-feira (16.12) foi solicitado à Assessoria de Comunicação do ICMBio uma posição sobre a requisição do MPF dos resultados do Grupo de Trabalho criado para reavaliar a negativa inicial dos técnicos locais do órgão ao estaleiro. "A instalação do estaleiro OSX implicaria em alterações significativas para a Baía de São Miguel, com correspondentes impactos, não mitigáveis, para a APA do Anhatomirim, o que impossibilitaria a sua autorização", diz o Comunicado no final.

Confira abaixo, na íntegra, o documento do ICMBio.


"COMUNICADO

O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), atendendo ao pedido da empresa OSX, para uma nova avaliação técnica sobre a viabilidade do empreendimento Estaleiro OSX, em Biguaçu, Santa Catarina, constituiu um grupo de trabalho com especialistas do Instituto em áreas relacionadas à ecologia marinha e oceanografia, que durante 40 dias dedicou-se à análise dos estudos ambientais relacionados ao licenciamento do estaleiro, avaliando os possíveis impactos do empreendimento sobre as unidades de conservação Área de Proteção Ambiental do Anhatomirim, Estação Ecológica de Carijós e Reserva Biologia do Arvoredo.

Terminado o trabalho de avaliação, o Instituto Chico Mendes, por meio da sua Coordenação de Avaliação de Impactos, procedeu um exercício de análise de cenários considerando possíveis modificações de tecnologia das atividades de dragagem e controle do projeto, maximizando-se as formas de contenção de riscos, para manifestação final do Instituto sobre a viabilidade do empreendimento na alternativa locacional pretendida. Nesse ínterim, a Fundação de Meio Ambiente do Estado de Santa Catarina (Fatma) comunicou o arquivamento do processo de licenciamento ambiental para instalação do empreendimento, face à desistência do empreendedor. Por conseguinte, cabe ao Instituto Chico Mendes o arquivamento do processo administrativo aberto para avaliação do impacto do empreendimento sobre as unidades de conservação, inexistindo, portanto, motivação para a manifestação formal do Instituto sobre o referido empreendimento.

Entretanto, é importante ressaltar, independentemente do arquivamento do processo, que os estudos realizados pelo Instituto evidenciaram a fragilidade do ambiente marinho da Baía de São Miguel, em Biguaçú. Originalmente raso, com profundidade não superior a 1,80m, lamoso, esse ambiente é considerado fonte de alimentação e fornecimento de pescado para as populações de pescadores tradicionais e principal área de alimentação dos golfinhos (Sotalia guianensis), que são os atributos que motivaram a criação da APA do Anhatomirim. Alterações no ambiente da Baía de São Miguel tendem a provocar impactos diretos sobre os golfinhos e o modo de vida dos pescadores tradicionais, impactos esses que dificilmente podem ser mitigados, evidenciando a necessidade de se buscar um desenvolvimento econômico para a região associado à natureza frágil e especial dessa área. A instalação do estaleiro OSX implicaria em alterações significativas para Baía de São Miguel, com correspondentes impactos, não mitigáveis, para a APA do Anhatomirim, o que impossibilitaria a sua autorização.

A Direção do ICMBio".
*Titular do blog Sambaqui na Rede e colaborador do portal Desacato, revista Pobres&Nojentas, Rede Popular Catarinense de Comunicação e Agência de Notícias do Contestado (Agecon). 

Fonte: Sambaquinarede2

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Publicação no Clarín (Maior jornal argentino)

El primer desafío de Dilma


Por Fabián Echegaray, DOCTOR EN CIENCIA POLITICA (UNIVERSIDAD DE CONNECTICUT), DIRECTOR DE MARKET ANALYSIS, CONSULTORA DE OPINION PUBLICA 

Brasil continuará en el radar de la política internacional después que Lula deje la presidencia. Con la llegada de la primera mujer presidente surge también el desafío sobre cómo la gran potencia regional concilia prosperidad económica con bienestar social y responsabilidad ambiental .

Por años Brasil huyó del dilema entre crecimiento material, calidad de vida y preservación ambiental apostando sólo en el primero. Desigualdades sociales, desempleo, la necesidad de generar divisas e impuestos justificaron esa elección sin titubeos por un desarrollismo sin mayor atención a su costo social y ambiental.

Sin embargo, el contexto que se avecina ha cambiado drásticamente. De un lado, la candidatura presidencial del Partido Verde obtuvo un inédito 20% de votos, convirtiéndose en fiel de la balanza. De otro lado, la pobreza en Brasil ha bajado pero la delincuencia no paró de subir; el PBI creció como nunca pero la vida en las ciudades se ha vuelto una pesadilla plagada por la inmovilidad del transporte, condiciones climáticas catastróficas y la nula inversión en servicios de saneamiento e higiene pública. Por último, la deforestación, el giro hacia una economía basada en el petróleo y la apuesta agresiva en agrobusiness vuelven a colocar a Brasil como uno de los villanos del debate ambiental , justo en el momento en que los grandes eventos internacionales que marcarán la presidencia de Dilma exigirán del país una apuesta transparente y efectiva en el desarrollo sustentable.

Ese conflicto entre desarrollo sustentable y expansión a cualquier costo fue ilustrado por la polémica sobre la construcción de un mega-astillero naval para petroleros justo enfrente de uno de los destinos preferidos de los argentinos, Florianópolis. Tras un año de embates, la denuncia y movilización de la comunidad científica, asociaciones barriales, fiscales públicos y los ecologistas contra su impacto negativo ambiental, social y económico sobre la isla fue capaz de bloquear la avidez de políticos y empresarios locales por supuestos millones de reales en negocios e impuestos. La nueva coalición por la sustentabilidad ya es parte de la realidad brasileña.

Fonte: Clarín

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Pescador de Santa Catarina pede fiscalização igual para todos


Momento em que o barco foi apreendido.
Vera Gasparetto - PortoGente - 09 de novembro de 2010
 
PortoGente conversou com o pescador Wagner Vitorino, um dos jovens pescadores da Baía de São Miguel, em Biguaçu (Santa Catarina), que tem orgulho da sua profissão. Sua comunidade é localizada na área onde Eike Batista quer construir o estaleiro da OSX. Ele participou da “barqueata” no último sábado (6) e conta como foi a apreensão do barco do seu irmão, Eliton Vitorino. “Voltamos pra casa soltando foguetes, porque jamais vamos nos esconder. Entramos nessa luta e vamos até o final”.

PortoGente - Quantos barcos foram apreendidos?
Vitorino - Foi só um barco apreendido, mas no mesmo dia já fomos lá na Marinha e foi liberado. Agora estamos esperando se vai vir a multa.

PortoGente - Qual foi o motivo da apreensão?
Vitorino - O motivo foi porque estava sem alguns equipamentos e como o barco tinha acabado de ser reformado ainda estava sem o nome. Eles alegaram isso, mas nunca fazem essa vistoria toda.

PortoGente  - Qual a opinião de vocês sobre a apreensão?
Vitorino - Ficamos indignados porque moramos no meio de duas marinas e o que se vê de irregularidades... Essas pessoas saem de lancha cheias de vodka, todos os tipos de bebidas, fazendo palhaçadas com as lanchas podendo causar até um acidente. Todos sabem que ninguém navega melhor que um pescador em nosso mar e muito menos conhece como nós conhecemos. Então se for para fiscalizar, que seja igual pra todos.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Manifestação contra Mega-Estaleiro OSX é impedida pela Capitania dos Portos em Florianópolis


Pescadores são impedidos de promover ato contrário a complexo industrial naval.


Por Everton Balsimelli Staub, Advogado militante, Assessor Jurídico da AJIN - Associação de Proprietários e Moradores de Jurerê Internacional e Conselheiro do IAR – Instituto Ambiental Ratones.

No dia 06 de novembro, uma barqueata amplamente noticiada que pretendia externar descontentamento com projeto que afetará pesca artesanal, maricultura e turismo na região metropolitana de Florianópolis foi desmantelada por ato inequívoco de censura em plena Baía Norte.

No momento em que a primeira leva de barcos provenientes de região vizinha a um mega-estaleiro chegava ao local onde ocorreria a manifestação, a Capitania dos Portos de Florianópolis debelou com a apreensão e notificação das primeiras embarcações de pescadores artesanais. A partir deste odioso e inequívoco ato de aniquilação do livre direito de liberdade de expressão, logicamente que o dano à democracia foi configurado.

Numa manhã de mar calmo, sem ondas nem ventos, desacostumados com esta espécie de abordagem em suas atividades cotidianas, a repressão causou o desmantelamento e o desencorajamento imediato dos demais manifestantes, que vinham em levas de embarcações provenientes de São Miguel (Biguaçu) e Governador Celso Ramos e engrossada no caminho por pescadores da Ilha. Apenas os amigos mais próximos do pescador que teve a sua embarcação rebocada não retornaram imediatamente. Logicamente que por sua coragem e companheirismo, estes também receberam notificações. A apreensão destas poucas “bateiras” não ocorreu devido ao forte protesto dos espectadores locais.

Diferentemente do que pudesse parecer uma fiscalização legítima, a pacífica e livre circulação de idéias contrárias aos interesses dos detentores do Poder Político que se pretendia realizar foi reprimida, pois diferente da ideologia do Estado.

"Eu achava que a gente era só uma pedra pequena no sapato deles, agora estou vendo que somos é uma pedra enorme", reclamou publicamente o pescador Jonas Oscar Pereira, cujo colega, Eliton Vitorino, teve a embarcação apreendida e conduzida à sede da Capitania dos Portos de Santa Catarina, nas imediações da cabeceira continental da ponte Hercílio Luz.

O ato repressivo da Marinha do Brasil aconteceu enquanto lideranças comunitárias, representantes de maricultores e ambientalistas usavam um microfone para expor os motivos do ato e a existência de estudos científicos que denunciam impactos ambientais severos à região. O oficial da reserva da Marinha e engenheiro naval Joel Guimarães de Oliveira usava o microfone quando a Polícia Naval passava pela frente do trapiche da Beira-Mar escoltando a primeira embarcação. Ex-diretor de estaleiros e residente em Jurerê Internacional, Joel considerou a iniciativa arbitrária e duvidou que o comandante da Marinha do Brasil, almirante-de-esquadra Julio Soares de Moura Neto, "tenha conhecimento disso".

Por episódios como o presenciado nesta ensolarada manhã de sábado é que a população brasileira é estimulada à passividade diante do cometimento dos maiores absurdos por políticos e órgãos governamentais. Este não foi um mero dissabor, mas um inequívoco “cala a boca” numa democracia de “faz de conta”, na qual os cidadãos descontentes são compelidos ao silêncio.

sábado, 6 de novembro de 2010

Barqueata contra Estaleiro OSX foi reprimida pela Polícia Naval


Barqueata contra Estaleiro OSX
foi reprimida pela Polícia Naval


Polícia Naval escolta manifestantes até a Capitania dos Portos


Por Celso Martins
Florianópolis-SC

A Marinha do Brasil através de sua Polícia Naval reprimiu a barqueata contra o Estaleiro OSX, realizada nesta sabado (6.11) pela manhã nas águas da Baía Norte de Florianópolis e na principal avenida da cidade, a Beira-Mar Norte, região central da capital catarinense. Poucos minutos antes da chegada da barqueata integrada por pescadores de São Miguel (Biguaçu) e de Governador Celso Ramos, a Polícia Naval aguardava nas proximidades do trapiche em reconstrução. Ao avistarem a primeira leva de embarcações na altura de Cacupé, os políciais se deslocaram num bote inflável na direção da barqueata.

"Metade do pessoal que estava com a gente desistiu e retornou por causa da ação da Marinha", reclamou publicamente o pescador Jonas Oscar Pereira, cujo colega, Eliton Vitorino, teve a embarcação apreendida e conduzida à sede da Capitania dos Portos de Santa Catarina, nas imediações da cabeceira continental da ponte Hercílio Luz. Eliton terá que retornar em dois dias para prestar depoimento e saber o valor da multa recebida. (Confira abaixo o auto de infração).

O ato repressivo da Marinha do Brasil aconteceu enquanto lideranças comunitárias e ambientalistas usavam um microfone para expor os motivos do ato. O oficial da reserva da Marinha e engenheiro naval Joel Guimarães de Oliveira usava o microfone quando a Polícia Naval passava pela frente do trapiche da Beira-Mar escoltando a embarcação de pesca de Rodrigo Machado. Ex-diretor de estaleiros e residente em Jurerê Internacional, Joel considerou a iniciativa arbitrária e duvidou que o comandante da Marinha do Brasil, almirante-de-esquadra Julio Soares de Moura Neto, "tenha conhecimento disso". A ordem para reprimir a barqueata contra o Estaleiro OSX foi dada pelo capitão-de-mar-e-guerra Marcelo Santiago Garcia, comandante da Capitania dos Portos de Santa Catarina.

O advogado Eduardo Lima, morador da Daniela, seguiu com integrantes do Movimento em Defesa das Baías de Florianópolis para a Capitania dos Portos, tendo acompanhado a ordem de apreensão da embarcação e e aplicação da multa. Em seguida o pescador Eliton Vitorino foi levado pela Polícia Naval até o local da manifestação da avenida Beira-Mar Norte: enquanto a Marinha recebeu vaias e ouviu palavrões, o pescador chegou aplaudido pelos manifestantes. "Nunca havia sido abordado antes por esse pessoal", disse. Outras duas embarcações foram notificadas.  

O ato contra o Estaleiro OSX contou com infraestrutura de som e barraca instaladas por volta das 9h30. Aos poucos começaram a chegar os manifestantes. Os oradores foram se revezando, esperando a chegada da barqueata iniciada em São Miguel (Biguaçu) e Governador Celso Ramos e engrossada no caminho por pescadores da Ilha, seguindo em levas de cinco a seis embarcações. Com a ação repressiva da Marinha do Brasil, a barqueata se dispersou. A movimentação foi acompanhada do alto por um helicóptero. O prefeito de Biguaçu, José Castelo Deschamps, estacionou seu veículo junto aos manifestantes e ficou observando. Depois foi embora. Os participantes do ato também foram fotografados por desconhecidos.   

Policiais navais aguardam a chegada da barqueata

Policiais da Capitania são recebidos com vaias pelos manifestantes
Jonas Pereira, pescador: "Eu achava que a gente
era só uma pedra pequena no sapato deles. Agora
estou vendo que somos é uma pedra enorme".
Sílvia L. Santos Soares, maricultora de São Miguel (Biguaçu), mostra
notificação da Polícia Naval/Capitania dos Portos de Santa Catarina
Eliton Vitorino, pescador de São Miguel (Biguaçu): alvo da repressão
Manifestantes no momento em que a Marinha escoltava o pescador
A Associação de Jurerê Internacional se fez presente.
O Conselho Comunitário do Pontal do Jurerê também esteve no movimento.

A Associação de Bairro do Sambaqui também.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

ALERTA: Visita Florianópolis antes de que sea hecho (en español)


Visita Florianópolis antes de que sea hecho

Por Celso Martins*

ASTILLERO OSX

Quien está acostumbrado a pasar el verano en Florianópolis, Estado sureño de Santa Catarina (Brasil), debe aprovechar que la próxima puede ser la penúltima o última temporada. Para el año 2011 está prevista la construcción de un mega astillero en la costa de la Bahía Norte de Florianópolis, en frente a las playas de Canasvieiras y Jurerê, en el vecino municipio de Biguaçu. El momento de mayor impacto, el de la construcción de un canal con más de 13 quilómetros, va a demorar cerca de 210 días, amenazando las playas más concurridas con la erosión y la desaparición.

Además, el Astillero OSX podrá dar un rumbo inesperado a la dinámica económica regional, promoviendo un aumento poblacional sin la infraestructura adecuada, inviabilizando la maricultura y la continuidad de la pesca, sobre todo del camarón, y desestructurando a las diferentes comunidades instaladas en la costa de las bahías de Florianópolis. Se agrega el  riesgo de la desaparición de playas o trechos de playas en Daniela y Jurerê, y la contaminación por los combustibles y productos tóxicos en eventuales accidentes, con la consecuente desvalorización de todos los inmuebles.

El tamaño del negocio

No es un galpón para construir canoítas. Se trata de una iniciativa de la OSX, “empresa del Grupo EBX, fundado y presidido por Eike Batistas que hace casi 30 años desarrolla y administra negocios en los sectores de mineralogía, energía, logística, petróleo y gas,  fuentes renovables, entretenimiento y también en el sector inmobiliario”, según el sitio de la EBX.

Fue anunciada una inversión de más de dos mil millones de reales, para la construcción del astillero, según el EIA, pero ese valor ha variado para arriba y para abajo. La previsión presupuestaria del 2011, para la Intendencia de Florianópolis es de mil 300 millones de reales.

En el astillero van a ser construidos “navíos plataforma tipo FPSO, plataformas semisumergibles, plataformas tipo TLWP, sondas moduladas, cubiertas de cemento, navíos sonda (drillship) y chaquetas de plataformas fijas. El astillero también se dedicará a la conversión de cascos de navíos en FPSO”, según el sitio de la OSX. Los blancos son las reservas de petróleo del pre sal y los equipamientos para su explotación.
Todo eso será hecho en un área con 155,33 hectáreas en la localidad de Tijuquinhas, municipio de Biguaçu-SC, región metropolitana de Florianópolis.

La empresa da señales de 4 mil empleos directos, lo que justificaría el atropello de la legislación ambiental y la degradación de la Bahía Norte de Florianópolis.

El emprendimiento se situará entre el Área de Protección Ambiental (APA) de Anhatomirim, la reserva Biológica Marina de Arvoredo y Estación Ecológica de Carijós, dentro del Área de Reglamentación de Pesca y Turismo.

El canal entre el local del astillero y el alto mar será fruto del dragado de más de 8 millones de metros cúbicos de sedimentos (arena, arcilla), aunque los estudios iniciales indicasen la necesidad de la retirada de casi de 17 millones de metros cúbicos.

La profundidad del canal será de 9 metros, aun estando previstas embarcaciones con calado mayor.

El ancho del fondo del canal será de 167 metros, más los taludes laterales con 36 metros cada (ángulo de 45º), agregados de una franja de seguridad de 50 metros en los dos lados, lo que da un total de 339 metros. El espacio ganará aislamiento con boyas.

Extensión del canal: entre 13,2 y 14,5 quilómetros (las dos informaciones están en lugares diferentes del EIA-RIMA del emprendimiento).

El permiso

A pesar de que el emprendimiento prevé un canal en plena Bahía Norte de Florianópolis, el proceso de licenciamiento quedó en las manos de la Fundación de Medio Ambiente, que realizó dos estridentes audiencias públicas en Gobernador Celso Ramos, Biguaçú y Florianópolis.

Por encontrarse en el área de influencia de las tres unidades federales de conservación, el licenciamiento necesitó de la anuencia del órgano responsable, el Instituto Chico Mendes para la Biodiversidad (ICMBio). Después de los estudios, el órgano negó la anuencia, postura que fue reafirmada posteriormente.

Comienza entonces uno de los episodios más tristes de nuestra historia reciente, cuando la población asistió espantada a la capitulación de nuestros líderes políticos y económicos, en la víspera de un importante pleito electoral. Reunidos todos los candidatos se juntaron a ellos próceres del comando estadual, yendo todos a Brasilia a pedir que la negativa del ICMBio local fuese revertida, abriéndole camino a la concesión del permiso. El resultado de esta presión fue la creación de un grupo de trabajo para hacer un nuevo análisis del proceso.

El desmonte del EIA-RIMA

El estudio del impacto ambiental (EIA-RIMA) del emprendimiento comenzó a ser desmontado en el inicio de la madrugada del 23 de julio último, en los 10 minutos finales de la audiencia pública realizada por la Fundación (FATMA) y la OSX en Jurerê Internacional, por el Fiscal de Justicia Rui Arno Richter: el Ministerio Público catarinense no tiene nada contra el Astillero OSX, pero va a actuar en el caso de irregularidad y no aceptará a la degradación ambiental.

En la ocasión, el promotor del medio ambiente de la Capital señaló que el emprendimiento, al contrario de lo que concluye el EIA-RIMA, tendrá sí profundos reflejos en la Bahía Norte de Florianópolis, que también no detalla las consecuencias del dragado del canal y el consecuente aumento de la turbidez y de materias en suspensión en las aguas marinas. Consideró que las alternativas de localización en San Francisco del Sur, Itajaí e Imbituba, fueron “rápidamente descartadas” con argumentos “extremadamente insatisfactorios”. Problemas con el rápido aumento poblacional de Biguaçú y región, sin la necesaria infraestructura, no fueron considerados en el Estudio. Por fin, entre otras observaciones, exigió de los órganos públicos la definición de límites del uso de la Bahía Norte antes de la concesión del permiso. Dijo temer que el Astillero OSX pueda ser la puerta de entrada para “otras actividades impactantes” social y ambientalmente.

En seguida vinieron los científicos. Un parecer del profesor Paulo Simões, contratado por la empresa Carujo Jr. para elaborar un estudio para concluir el EIA-RIMA, fue descartado. El motivo: el científico consideró el “emprendimiento inviable” en las aguas de las bahías de Florianópolis.

En ese tiempo surgió la Nota técnica: Impactos potenciales del Astillero sobre la pesca artesanal, trabajo elaborado por el oceanógrafo Rodrigo Pereira Medeiros y la bióloga Carina Catiana Foppa. A pesar de que el EIA-RIMA no ofrece “condiciones para un análisis consistente” de los impuestos en la actividad pesquera artesanal, los pocos datos contenidos en el documento, son suficientes para asegurar que el emprendimiento puede inviabilizar la “continuidad de la actividad” en la región.

El “Parecer Independiente” elaborado por un grupo de científicos brasileños encabezado por el oceanógrafo Leopoldo Cavalieri Gerhardinge, representó otro golpe en la credibilidad del EIA-RIMA: el diagnóstico de la ictiofauna marina (peces, camarones, etc.) y de los impactos representados por especies invasoras, presentado en el Estudio “no presenta condiciones consideradas mínimas para la adecuada mensura, dimensionamiento y evaluación de los impactos del emprendimiento sobre las poblaciones de peces marinos”. Está errado también en la “evaluación de los impactos de la obra y en el funcionamiento del emprendimiento”.

Más recientemente fue realizado un seminario interuniversitario en el campus de la UFSC, en Florianópolis, donde diferentes científicos reafirmaron las amenazas sociales y ambientales del Astillero OSX, entre ellos el oceanógrafo Marcus Poletti, de la Univali, el economista Hoyedo Lins, y la arquitecta Margarete Pimenta, ambos de la UFSC, entre otros. Todas estas manifestaciones de la comunidad científica fueran encaminadas al Ministerio Público (estatal y federal), Fatma e ICMBio.

La Resistencia

La resistencia al astillero fue encabezada por los habitantes del Puntal de Jurerê (Daniela) y de Jurerê Internacional, con las adhesiones de entidades como la Asociación de Barrio de Sambaquí (ABS) y el respaldo de la Unión Florianopolitana de Entidades Comunitarias (Ufeco), ambientalistas, maricultores y pescadores de San Miguel (Biguaçú) y Gobernador Celso Ramos.

La motivación inicial fue la amenaza de erosión y desaparición de las playas de Daniela y Jurerê, entre otras, asociada al temor de la población. El riesgo de transformación del actual modelo socio económico de Florianópolis donde despunta el turismo estimulando los sectores de servicios, comercio y construcción civil, asociado al sector de tecnología de punta (informática, robótica), también contribuyó para la movilización.

Los pescadores realizaron manifestaciones en San Miguel (Biguaçu) y también los vecinos de Sambaquí, condenando el emprendimiento. En Jurerê Internacional hubo un acto público liderado por la Asociación de Vecinos y Propietarios local (AJIN), después de esa asamblea donde apenas una persona votó a favor del astillero. Esta última actividad tuvo el mérito de reunir bajo una misma bandera a los despreciados pescadores de la Bahía Norte de Florianópolis con los vecinos de una de las experiencias más lujosas de la opción socio económica de la ciudad – el barrio de Jurerê Internacional. Resistencia reunida bajo la denominación de Movimiento en Defensa de las Bahías de Florianópolis, cuyo blog divulga la marcha de las acciones.



La capitulación

El anuncio de la implantación del Astillero OSX funcionó como un “canto de sirena” para los sectores menos favorecidos de la población, aliado a la completa capitulación de nuestras elites dirigentes – Asociación Comercial e Industrial de Florianópolis (ACIF), Sindicato de la Industria de la Construcción Civil del Cono Urbano de Florianópolis (Sinduscon) y Federación de las Industrias del Estado de Santa Catarina (Fiesc), importantes empresarios y principalmente casi la totalidad de los líderes políticos.

A rigor, solamente la ejecutiva del PT de Florianópolis se posicionó en una nota contra el emprendimiento, iniciativa que fue repudiada por la cúpula petista. De los candidatos al Gobierno del Estado en las pasadas elecciones apenas Valmir Martins del PSOL se mostró claramente contrario al astillero en el local propuesto. La senadora del PT Ideli Salvati llegó a “pedir la cabeza” del dirigente del ICMBio local. Y vivimos momentos de gran tensión e expectativa cuando el ministro de Pesca Altemir Gregolim, declaró que los daños del emprendimiento no serían grandes en el sector: la maricultura podría ser removida y alojada y la pesca en la Bahía Norte dijo que no era “significativa”.

De esta manera, políticos de todos los espectros dijeron sí a la iniciativa. En el Congreso Legislativo el diputado estatal del PMDB Edson Andrino (que no logró reelegirse), articuló un “frente parlamentario” que llevó los interesados en el OSX a Brasilia para hacer presiones junto al Ministerio del Medio Ambiente e ICMBio. La comitiva tuvo la presencia del máximo dirigente del órgano ambiental estatal (Fatma), Murilo Flores, donde el permiso aún no concedido, todavía está siendo evaluado.


SEPA MÁS






*Celso Martins es Periodista desde 1976 (Registro Profissional SC-00789-JP) e Historiador (FAED-Udesc, 2003-2007), residente en Florianópolis-SC (Brasil), titular del blog Sambaqui na Rede y colaborador del Portal Desacato y de la revista Pobres&Nojentas.